sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Entrevista com Laura Pausini em "O Globo"



O Globo: Você vem ao Brasil com regularidade. O que os fãs podem esperar de diferente na apresentação deste ano?

Laura: O show deste ano une meus 23 anos de carreira, ou seja, das canções do passado às do “Simili”. “Lato destro del cuore”, que é trilha sonora da novela “Haja coração”, da TV Globo, estará no repertório, por exemplo.

O Globo: Você fala português e já disse ser admiradora declarada do país. Acompanhou a crise política em que o Brasil se envolveu? Tem uma opinião sobre o assunto?

Laura: Falo português sem tê-lo estudado e não é fácil, para mim, escrever na língua (ela respondeu às perguntas em italiano, apesar de ter pedido para recebê-las em português), mas sou apaixonada. Quando se fala de crise econômica, infelizmente não se fala somente do Brasil. Muitos países do mundo, incluindo o meu — a Itália — estão vivendo uma situação política que cria dificuldades econômicas. Parece-me que o mundo está um pouco à deriva e estou preocupada com o futuro.

O Globo: Seu novo álbum é baseado no conceito de que somos todos semelhantes, apesar das nossas diferenças. O mundo hoje, porém, parece estar mais interessado em reforçar diferenças do que sublinhar semelhanças. Como você compara a situação em que vivemos com as ideias que defende em sua música?

Laura: Decidi dedicar um álbum inteiro às diferenças porque acredito fortemente que são a nossa força. Não acredito em barreiras, não gosto de dividir as pessoas em categorias e não acredito que os problemas de um país se resolvem mandando embora todos os estrangeiros. Ao contrário: a presença deles serve para melhorar toda a população.

O Globo: A comunidade LGBT italiana nomeou-a personalidade do ano em 2016. Acha importante defender essa causa em um momento em que o mundo vive essa onda de conservadorismo?

Laura: Fiquei muito honrada com esse prêmio, até porque eles sabem que, para mim, não existe diferença entre nós. O próprio fato de que eles devem se organizar para defender seus direitos já é uma forma de preconceito por quem se julga superior. Eu não gosto disso.

O Globo: A música cantada em inglês faz sucesso em países latinos, mas o mesmo não acontece com canções nos EUA. É como se existisse uma barreira cultural, mas só de um lado...

Laura: Eu reconheço esse racismo por parte dos países anglo-saxões, mas, por outro lado, eles não sabem o que perdem… No meu caso, eu falo várias línguas porque devo cantá-las e sou certamente mais preparada do que eles quando faço uma entrevista em uma língua original/local.

O Globo: Os pacotes para o seu show aqui chegam a ultrapassar R$ 2 mil. Alguns fãs brasileiros reclamaram publicamente. O valor é muito alto?

Laura: Alguns produtores exigem os pacotes VIP (os mais caros, que incluem brindes e até foto com a cantora). É uma coisa que depende exclusivamente deles. Disse a eles o que eu penso, mas há regras que ou aceito ou não posso nem vir fazer o show. Por sorte, há também ingressos menos caros (as entradas custam a partir de R$ 300). Como artista, me empenho em fazer um show que esteja à altura das expectativas e por isso prometo a vocês que colocarei nele todo o meu coração e o meu empenho.


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Fonte: O Globo